Certo dia, o jovem casal propôs mudar a rotina e, ao chegar à casa do casal mais velho, percebeu algo muito estranho. A porta estava aberta e, por isso, dava para ouvir sussurros agonizantes de tristeza, cuja intensidade atravessava as paredes do quarto harmônico.
Impressionados, os jovens não resistiram. Entraram na casa com passos lentos e, em seguida, subiram a escada que levava à tal situação desconhecida. Próximo do quarto, dava para ouvir o que diziam lá dentro e era algo que mudaria a vida de todos. A partir daquele momento, uma transformação era inevitável.
As paredes minavam lágrimas como resultado das horas de choro, pois naquele dia 14 de dezembro fazia 20 anos do sumiço do filho. Todo o sofrimento havia começado em uma bela manhã de domingo; na época, eles eram jovens recém-casados e, como de costume, levavam o seu filho recém-nascido para a pracinha. Mas, para a tristeza do casal, naquele dia o filho repentinamente desapareceu.
Ao longo dos anos, eles lutaram juntos na busca do filho desaparecido. Inicialmente, procuraram a polícia, mas não obtiveram resultados. Então, resolveram manter a rotina e, durante os 20 anos seguintes, faziam as mesmas coisas. Havia sempre a esperança do retorno do filho para que fosse extinta a dor da saudade.
Justamente naquele dia, eles resolveram não sair de casa; nem ele foi à capela rezar pela volta do filho e nem a senhora foi se arrumar para ficar deslumbrante para receber o filho, como faziam todas as manhãs de domingo…
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