Arquivar 4 de novembro de 2016

O sol nasce pra todos

As pessoas de uma determinada comunidade tinham o costume de preparar uma área de terra correspondente a meio hectare para o cultivo de lavoura, mandioca, macaxeira, milho, feijão entre outras coisas.

Já era uma tradição local, pois assim que começavam as chuvas, os moradores daquela comunidade cuidavam dos seus roçados, (local de se plantar), enchendo-os com uma enorme variedade de plantas.

Mas havia no lugar um homem que nunca se atrevia a fazer um roçado.  E que somente, de longe, via as plantações dos seus vizinhos. Os moradores da comunidade convidavam para que também preparasse a terra para o cultivo da lavoura.

Mas o mesmo recusava dizendo: – Vocês pegam as melhores terras, têm dinheiro pra gastar no caso de ocorrer prejuízo e tem uma grande freguesia que compram suas colheitas. Ele sempre usava esses argumentos, além de dizer que em comparação aos demais, iria colher pouco ou simplesmente nada.

Um ano após ter recebido o último convite, o homem resolveu fazer a plantação. Quando estava próximo do período apropriado para o plantio, ficou todo motivado e, ao mesmo tempo, apreensível por ser a primeira vez que trabalharia na roça.

Então, todas as manhãs, pegava as ferramentas e ia preparar a sua área de terra onde plantou de tudo um pouco. O ano foi de muita fartura. Pois, lucrou muito.  Faltando até quem comprasse tanta colheita, mas o homem não se entristeceu. Pois tinha outros objetivos, outros planos.

SEGUNDA PARTE )))) A colheita

Júlio, o rapaz desconfiado

O Júlio era muito calmo e calado, mas que desconfiava de tudo e de todos. Ele trabalhava em um jornal, do qual recebia o suficiente para se manter. As pessoas que conviviam com ele, nada sabiam sobre sua vida e que mesmo assim acostumaram-se com aquele vizinho tão solitário.

Todos comentavam que ele era do interior. O décimo filho de uma família pobre, mas ao ser perseguido, foge de sua cidade. O motivo seria pelo fato de o rapaz ter iniciado um namoro com a filha de um coronel, que não aceitava o relacionamento.

Um outro comentário seria pelo fato de que ele teria praticado algo de errado e que, por isso, estava fugindo. Explicaria o seu comportamento de desconfiança.

Após três anos, Júlio, como era conhecido, começava a fazer amizades no bairro e no trabalho. De vez em quando falava sobre o que sentia e acontecia no seu cotidiano e da sua família.

Por ser desconfiado, ele insistia em viver na solidão. Um mundo solitário em que personificava um sentimento de tristeza e um elo com algo que tocava-lhe a alma numa ansiedade de dor e tormento.

Ao caminhar pelas longas ruas da cidade, quando ia e vinha do trabalho, recebia o cumprimento de belas mulheres. Mas apenas uma fascinava o coração, pois o olhava com esplendor no encanto. Ele, em seu mundo solitário, não acreditava ver e ter aquela deusa em sua vida. E, por isso, continuava negando-se a felicidade.

O chefe

Certo dia ao chegar no trabalho, é notificado que o chefe queria conversar com ele e que seria uma novidade. Júlio pensou que seria demitido, pensamento alimentado por seu jeito de ser. Mas o chefe comunica-lhe que se trata de uma boa notícia. A de que ele assumiria a direção do jornal localizado em outro bairro e que seria contratada mais uma pessoa para auxiliá-lo.

Júlio brilhava-se em felicidade e alegria com a sua promoção. Um acontecimento que mudaria a partir daquele momento o seu jeito tão desconfiado de se viver. Estava motivado e autônomo de sua vida tão misteriosa e solitária.

Chegando o dia marcado para assumir a nova função e de conhecer seus novos colegas, mas algo bom toca-lhe a alma. Uma felicidade inexplicável que se expandi pelo corpo e chega ao coração sendo sentida na essência.

Ao ouvir alguém o chamando pelo nome, olha de repente e se depara com uma beleza cuja definição foge de suas palavras.

Ele tenta decifrar tanta beleza, mas depois desiste e somente a observa. Uma formosura deslumbrante que ele não a imaginava nem em seus sonhos mais profundos. De uma elegância que desperta-lhe o amor no coração e faz brilhar incansavelmente os olhos.

SEGUNDA PARTE))) A moça

Meu mundo

Idealizo um mundo de felicidade
Onde a dor do desamar passa por longe
Viajo em um barco de vitalidade
Vejo o amor em meu horizonte.

Não sei o que é dor de amor
Muito menos solidão vivida
Acalento minha alma de calor
Iluminando minha esplendorosa vida.

Sonho com um prazer satisfatório
Vivo para amar, amo para viver
A esperança, em minha vida, faz morada
Que na alma, alimenta-me a fé de ser.

Ao retornar de uma realidade absoluta
Por meio dos ouvidos, o coração escuta
Uma idealização quase enganosa
Existente em uma realidade fantasiosa.

Me perco neste mundo, pois é minha saída
Escondo-me da dor, solidão e da vida
Alertam-me! Que é impossível vencer os obstáculos
Tentando fugir das responsabilidades.